21 de mar de 2017

Sem rumo

Lugana Olaiá
Quando você termina todas as atividades que o mundo espera
Quando só quer m tempo pra descobrir o que precisa
Mas não sabe o que fazer
Com um minuto só seu
Com suas necessidades
Não entende mais se existe lugar para encaixar
Apenas você
Sem bagagem, sem destino

20 de mar de 2017

Na estrada

Lugana Olaiá

Interior
Tocar tão fundo e profundo em você
Perceber o quanto carinho teu ou do outro lhe falta
Mas ter consciência do que se quer é metade do caminho
A outra metade é encontrar quem lhe acompanhe no querer do teu prazer

Temporal
Chuva
Tempestade
Água boa de lavar
Me sinto em casa
Tenho as mais belas memórias de banho na chuva da infância
A sensação de liberdade e copo cheio
A sensação de limpeza da alma
Essa água que escorre pelo corpo e corre pela terra tem o poder de dar novo sentido à vida

14 de mar de 2017

Viagem ao centro de mim

Lugana Olaiá

Chorinho
O choro de susto é um
O choro de sono é outro
O choro de dengo é diferente 
Mas o choro de dor, da queda, da ferida, de um mal estar interno e o choro do medo, em uma criança é o choro mais sofrido e cheio de sentimento que existe. 
É de cortar o coração. Mesmo que não seja o da sua criança.


Longe
Durante muito tempo você foi de alguém.
Entregou-se por inteiro.
Quando isso acontece é uma viagem só de ida.
Sendo assim, pode acabar e tudo mudar para sempre, mas em seu íntimo aquela permissão dada será sentida, vivida em cada lembrança dos anos e das milhões de coisas que viveram juntos. 
Não há como rasgar o contrato invisível. Mesmo deixando de ser, de estar, há um lugar no infinito onde haverá coração e alma, ainda que fora do corpo.


Exaustão 
Quando não se tem descanso
A mente padece
O corpo dá sinais de sofrimento
Quando não há tempo para respirar
Falta o ar
Perde-se a vida que passa em nebulizações
Quando não somos mais capazes de enxergar além
O coração só recebe o que seu cérebro permite

14 de fev de 2017

EMPIRE – A IMPORTÂNCIA DA REPRESENTATIVIDADE NA TV AMERICANA


Lugana Olaiá
Numa conversa despretensiosa sobre seriados, sugeri a um grupo de amigos a série norte-americana Empire. E para minha surpresa, quase ninguém conhecia a produção. Então me vi com espaço para fazer a defesa, por que devemos ver Empire? Aqui no espaço do Blogueiras Negras, sinto a liberdade de explicitar o primeiro motivo que me levou a ser fiel telespectadora, já que 90% DOS ATORES SÃO NEGROS!
Esse foi o meu primeiro motivo, quando eu vi que o elenco tinha nomes como Taraji P. Henson e Terrence Howard eu já me vi com o dever de conhecer essa história. Não me arrependi e indico para todos os negros que querem sugestão do que ver na TV fechada (ou na internet). Nós, negros, precisamos sim estar atentos a todos os movimentos dos nossos irmãos de cor, seja na televisão, nos debates, na política ou nas artes. Temos que acompanhar a trajetória e nos unir na luta diária pelo reconhecimento que merecemos.
Empire é a série que tem sua base na música, mais especificamente no ritmo do hip hop muito comum nos Estados Unidos. No entanto, o seriado humaniza seus personagens mostrando que além de artistas e empresários famosos, mesmo com dinheiro, nós negros temos questões diferentes para enfrentar todos os dias, e que os demônios começam a nos perseguir dentro da própria família.
Durante a primeira temporada, fica evidente o quanto os acontecimentos da infância de uma criança vão moldar o seu caráter e gerar consequências para todas as escolhas e atitudes ao longo da vida. Lucios Lyon, o patriarca da família, vivido pelo brilhante Terrence Howard, é um ser humano extremante complexo, e verdadeiro em todas as suas nuances. Criado por uma mãe esquizofrênica, o pequeno Lucios teve que aprender a sobreviver aos rompantes psicológicos dentro de casa, e mais tarde foi forçado a aprender o que é ser “aquele que defende a si próprio” vivendo nas ruas ainda muito jovem.
Cookie Lyon, é a personagem que ganhou vida na atuação intensa e visceral de uma das maiores atrizes negras do nosso tempo, Taraji P. Henson. Para nos apresentar uma protagonista de comportamento tão dinâmico e peculiar, a atriz nos permite observar como se posiciona uma mulher negra diante da sua família, seus filhos e o homem com quem escolheu dividir os dias e as contas para pagar. Em algum ponto, é natural sentir identificação com seus medos e inseguranças, sobretudo, quando é quase palpável o quanto ela (a mulher negra e mãe) é capaz de abrir mão da sua felicidade.
Além de Terrence, existem outros cantores internacionais que trazem o lado artístico da série ao seu ponto alto. Entre eles, Jussie Smollett e o rapper Bryshere Y. Gray, conhecido como Yazz. A atuação leve da atriz Gabourey Sidibe (vencedora de prêmios e indicada ao Oscar pelo filme Preciosa – lançado em 2010) carrega uma veia cômica, que sabe o momento de tornar-se profunda em seus questionamentos.
Jussie Smollett, vive o filho do meio, Jamal Lyon, gay assumido, que desde muito novo enfrentou a desaprovação de seu pai diante de todas as atitudes que evidenciaram a sua essência. Ao meu ver, este é um dos personagens mais emblemáticos da televisão atual. Um filho rejeitado, que mesmo depois de empoderar-se de si mesmo, ainda busca a aceitação desse pai. Ainda que não parecesse certo, Jamal sempre quis ser um homem como o pai. Tão forte, bem resolvido e inteiro, como Lucios Lyon. Ver a desconstrução dessa necessidade que o outro te aceite para que você seja feliz, é um dos maiores ganhos da série. Vale ressaltar o aprendizado de poder amar alguém, mesmo que essa pessoa não aceite você.
O caçula é Hakeem, vivido pelo rapper Yazz The Greatest. De todos os filhos é o que menos se relaciona com o passado de privações da família, e isso faz dele um jovem riquinho mimado e sem noção da realidade. Para nossa felicidade, Hakeem Lyon vai crescer e amadurecer, e sua mãe terá uma participação significativa nesse processo. A relação entre eles demora para se estabilizar, porque como ainda era bebê quando Cookie foi obrigada a passar um tempo longe da família, o filho acabou se distanciando emocionalmente dessa lembrança materna.
O primogênito é Andre, personagem denso do ator Trai Byers. O filho mais velho vive formatado dentro de um terno e gravata, que em muitos momentos o fazem esquecer quem ele é, de onde ele veio, e como a sociedade enxerga-o. Algumas das verdades mais fortes e difíceis de encarar são jogadas na mesa em diálogos solitários, que Andre costuma vivenciar, já que herdou de sua avó paterna a esquizofrenia. O casamento com uma mulher branca, também define para nós quem esse homem quer ser, mas nos mostra a cada instante, quem ele é em sua profundidade.
Essa é a família protagonista de Empire, que agrega muitos outros personagens e tem seus valores “dançando” conforme a música. A trama é muito intrigante, e faz com que todos se perguntem o que sentem sobre os acontecimentos de sua vida. Porém, a resposta nunca será a que entregamos aos outros, e sim aquela que deixamos guardada em nosso interior.
O ganho extra para quem enveredar pelo caminho criado por Lee Daniels e Danny Strong são os espetáculos musicais apresentados a cada episódio. Nem sempre são grandes shows, mas certamente as letras das canções compõe e costuram as feridas abertas em Empire. Todo negro precisa conhecer essa história!

18 de jan de 2017

Coletor

Lugana Olaiá
Durante muitos anos, décadas, séculos, tempo demais...as mulheres sentiram-se esquisitas, envergonhadas, impuras, entre outros adjetivos de pouco prestígio.
Mas quando as regras chegam elas devem ser tocadas. E só agora está virando moda, 2017. Ainda é tempo de renovar seus votos de amor próprio.
E com "regras" falo da menstruação, que nos deixa mensalmente emotivas, sensíveis, inchadas e cheias de apetite..e também quero falar das "regras" embutidas na nossa cabeça por essa sociedade sempre machista, misógina e opressora.
Precisamos tocar nossas regras, naquelas que vem de dentro, como o sangue que escorre em nossas pernas mostrando que estamos aptas para gerar vidas (e sabemos que tudo vai bem no interior do nosso corpo), porque mulheres sempre fomos, mesmo antes de sangrar.
Somos fêmeas, e precisamos nos amar mais.

9 de nov de 2016

Olhar a aldeia durante a noite e viver nela um dia inteiro

Por Lugana Olaiá
Tem índio que vela o sono de outros e alivia seu próprio coração.
Tem índio que sente a falta e fica esperando acordado pra proteger e acolher.
Tem índio que pode até apagar a fogueira, pois apenas a sua presença ilumina a aldeia inteira.
Tem índio que é paz, mesmo sem estar presente, é corrente positiva.
Tem índio que é braço forte e energia para trabalhar junto.
Onde tem dureza de pé no chão, tem riqueza de água dourada.
Índio e caboclo são a família que ajuda a unir essa aldeia, mesmo enquanto dormimos.

29 de jun de 2016

Sinta-se bem na zona que sua vida se transformou e não pare de andar

Por Lugana Olaiá
O mesmo calor interno que a maternidade me deu, que me fez criar a marca de bolos e tortas Receita de Menina, agora me volta dando o desejo incontrolável de me reinventar. Sabe?
Tô disposta a todas as coisas novas que forem possíveis para mim, e minha filha. E descobri que tem pouquíssimas coisas que não podemos. 
Ao contrário do que dizem por aí. "Mães não podem mais ter nada de novidade, a vida acabou aí". Sim, ouvi isso bem na volta da licença maternidade. Por uma moça que diz que quer ter filhos, mas não queria estar na minha pele com 27 anos. rsrs
Pois então. Eu descobri também, que qualquer coisa que eu faça, sem necessariamente levar a minha filha no sling, não deixa de ser um ganho para ela também. No futuro, digo, no minuto seguinte, ela terá uma mãe que sabe mais alguma coisa, viveu mais alguma experiência e está ainda mais capacitada para lhe contar histórias, reais, lhe ensinar mais coisas.
Eu me pego lendo mil coisas, entrando em páginas diferentes e conhecendo pessoas na internet. E cheguei a uma conclusão, que na verdade não é ponto final do pensamento, e sim o início dele. Essa minha geração de mulheres e mães que fazem escolhas diferentes desde o momento em que estão gestando nova vida, até o exercício da maternidade em si, não podem, DE JEITO NENHUM, deixar toda essa força mingar depois.
É por isso que eu leio livros e blogs, vejo séries e vídeos em canais que me agradam no youtube, depois que minha filha dorme, e entro madrugada cheia de empolgação. Não toda noite, mas em algumas noites sim. E não tem nenhum problema. Em outras eu tomo café, ela janta e dormimos cedo. E em outras noites agora eu vou sair. Pronto. É novidade na vida de mãe, e é possível ser feliz como mulher.
Não a mulher esposa. rsrsrs! A mulher que se arruma pra si mesma e sai. Não é errado, não é louca. É bom pra ela, pro filho e pra sociedade que vai ter mais uma mulher de mente saudável circulando por aí.

15 de jun de 2016

Jogar a energia no universo

Por Lugana Olaiá
Vim aqui, exatamente agora, 1h28 de quinta (dia 16), porque estou inquieta.
Vim dizer que quando estava no início do puerpério li o blog de outra mãe. Ela dizia que depois de colocar a filha para dormir ficava até 2h da madrugada fazendo as coisas dela.
Eu estava tão cansada que pensei na hora "Louca, 2h eu quero estar dormindo. E vou orar para que minha filha possa estar fazendo o mesmo." kkkk
Então, o tempo passa, e a vontade de fazer as nossas coisas é maior do que o cansaço.
Estava trabalhando até quase agora, depois decidi ler um livro que comprei hoje (baseada numa teoria que criei para mim - conto na próxima postagem), e por fim, ainda estou esperando a conclusão do meu trabalho e resolvi escrever no meu amado blog.
O meu lado mais constante desde a faculdade, o meu universo particular que consegui compartilhar com bons amigos e fazer de alguns poucos leitores meus amigos virtuais também.
Vou contar a verdade. Eu quero ser escritora. Falei isso hoje, sem pensar, para uma colega. Até então era um sonho meu. Mas sabe quando você se ouve falando e parece que só então aquilo se torna uma realidade possível? Então, foi isso!
O que eu tenho que me impede por enquanto de ser uma escritora genuína é medo. Do julgamento, da exposição. De não ser interessante para nenhuma editora. Várias coisas desse tipo.
Obs.: Preciso ir pro quarto, SB me chama. Este post continua e ainda vou corrigir, mas faz parte do novo processo postar desde já. Bjs!

14 de jun de 2016

Fui silenciada

Por Lugana Olaiá
Quando mais nova eu me pegava pensando, "como essas mulheres que vivem em países de guerra permanente tem filhos?". E agora eu me pergunto a mesma coisa. Como, no mundo em que vivemos, com toda a violência diária contra gay, mulheres, negros, crianças, como eu tive coragem de ter filho? Eu cheguei a comentar isso antes de engravidar, mas não com força suficiente para optar mesmo por nunca trazer um ser indefeso ao mundo. E tive, e estou aqui, estamos juntas e o medo me faz pensar o quanto fui louca. O quanto ainda sofrerei todos os dias.
Não sei responder a essa pergunta.

7 de abr de 2016

Neuroses cotidianas

Por Lugana Olaiá

O último texto foi sobre uma mãe cansada. E depois que você assume ser uma mãe cansada, é como se não pudesse mais negar toda a realidade "nem sempre tão sensacional" da vida materna. 
Eu sei que tenho leitoras sem filhos. E queridas, não posso contar os detalhes! Só é permitido o direito de saber as partes complicadas da maternidade depois de ter filhos. hahaha
Você que não pariu, mas viu uma melhor amiga de perto, ajudou a criar uma sobrinha, acha que sabe, mas provavelmente não tem ideia. É muito particular mesmo e sua irmã ou amiga ou comadre certamente cortou as partes mais intensas.
No entanto, como recompensa, direi várias coisas que demonstram como as mulheres podem caminhar rumo ao surto, mesmo que não sejam mães. É com emoção, então apertem os cintos! kkkkk
É quase natural que o ser humano saiba mascarar suas emoções. Estamos acostumados a engolir os sapos da vida, rimos de piadas que não gostamos, ficamos caladas quando o chefe ou alguém mais velho fala alguma coisa que você não aprova, sei lá, um monte de outras coisas.
Daí você engravida, eu já contei aqui como todos se metem na sua vida e falam coisas horríveis. Depois o bebê nasce e tudo continua. E piora. 
Você, aquela antiga mulher bem resolvida que contava suas verdades num blog, onde era você mesma, e divulgava para amigos e conhecidos, e falava sobre qualquer coisa na mesa de bar, e tomava café gourmet com torta numa livraria sozinha depois de comprar seu lançamento tão esperado...já não sabe como se acostumar a engolir os velhos e robustos sapos..e então entra num ciclo maluco de não querer falar com ninguém.
Mas você precisa beber, né? Porque aguentar essa vida PUNK sem uma dose de bebida quente é muito mais difícil.
Agora procure em sua lista de contatos, tente encontrar alguma mulher que não te julgue por amamentar, que não jogue na sua cara sua vida perfeita com um filho bebê que dorme a noite toda, ou que não seja solteira sem filhos e com bastante dinheiro sobrando para gastar com suas coisas pessoais. Caso conheça alguém que escolha apenas te acompanhar e não faça da sua vida uma tragédia sem futuro próspero, saia de casa e tire o peso dos ombros.
Ou vá sozinha, e seja sua segunda melhor companhia!





29 de jan de 2016

A rotina de uma mãe cansada

Por Lugana Olaiá
Não, para mim o cansaço não é maior do que o amor e a felicidade em ter esse bebê por perto.
Clichê, porém verdade!
Mas o fato desse amor ser imenso, não anula o cansaço.
O que eu sei, e descobri depois de ser mãe, é que a gente sempre consegue aguentar mais um pouco, além do que acreditávamos ser o nosso limite.
E não estou falando apenas dos cuidados com o bebê.
Mas essa constatação diz respeito a muitos aspectos da vida.
A mulher depois de mãe, geralmente, se torna mais tolerante.
É bem verdade que também se torna mais exigente e mais atenta aos detalhes.
Sim, eu reconheço que tem muito de machismo e opressão da sociedade em alimentar a imagem de mãe super heroína. 
Essa afirmação escraviza diversas mulheres, e faz com elas sejam reféns da maternidade idealizada pelos outros.
Mas não podemos negar que algumas habilidades são adquiridas junto com a chegada de um bebê.
Esse universo materno é uma fonte inesgotável de assuntos para postagens em blogs, publicações de livros, e conversas de mesa de bar.
Todos os desafios e conflitos vividos pelos pais depois que o filho nasce, para ser bem sincera, também fazem da criança uma fonte do mais profundo amor, que nunca de secar aqui neste lar.

13 de jan de 2016

O planejamento anual

Lugana Olaiá

Quase dois meses passaram desde a última postagem. Mas hoje, revigorada com a alegria de ler "A pior mãe do mundo", tomei fôlego novamente para escrever de mim, e tirar um pouco o peso extra da balança emocional.
Ontem, depois de uma conquista, eu sugeri ao meu companheiro uma comemoração. Ele, negou, pois já tinha o compromisso de cortar seu cabelo. Eu fiquei super chateada internamente. Mas não tenho tido tempo nem disposição para sustentar sequer uma chateação.
Ainda tentei convencê-lo amigavelmente, dizendo que eu estava há muito tempo sem fazer essas coisas (cuidar da beleza). E ele me jogou na cara: "Arrume um tempo, e dê um jeito!". Eu engoli a seco e fiquei calada, triste, na minha frustração, deixando o vento bater na cara. rsrs
O que ele não entende é que eu abro mão. Abriria mão de ir ao salão quantas vezes fosse necessário, se em algumas delas eu pudesse estar com ele por alguns minutos tomando um açaí na rua. Tudo bem que eu não sou super vaidosa, mas poxa, e os momentos mais valiosos que podemos perder para ir ao salão? Eu não vou ao salão nem para deixar de estar com a minha filha, que nem sempre é só alegria, muitas vezes é só trabalho e cansaço. Fiquei arrasada com a facilidade que ele me mostrou como elege as ações de importância na vida dele!
Tá, eu já sabia que ele era pragmático. Mas nem tudo na vida é uma conta de exatas. Algumas coisas precisam ser pensadas, ponderadas. E aí eu me lembro de um chefe, que reconheço estar certo sobre algumas coisas. Eu problematizo demais. Penso demais nos pontos positivos e negativos. Mas eu sou assim, e não quero mudar a ponto de acreditar que é mais importante estar bonita do que estar feliz.
Tá, eu queria acordar bonita, sem necessidade de fazer as unhas, e elas simplesmente serem pintadas cada vez que eu terminasse de lavar os pratos ou as roupas. Eu queria, né? Mas se não dá, eu tomo um banho rápido, visto a roupa que me deixe mais livre para comer sem segurar a barriga e vou encontrar com amigos sem fazer as unhas. hahahaha
E sim, eu falei da barriga. Eu não me importava não. Tinha barriga e era feliz. Escolhi dar atenção ao meu próprio conteúdo. kkkkk! Sério! Mas agora tudo mudou. Eu sou mãe! E tem um monte de mãe sem barriga ao meu redor. Então, tenham paciência comigo CARALHO! É isso que dá vontade de dizer quando as pessoas falam de corpo comigo. Gente, na moral, alguém lê meu blog aí e fala para quem é meu algoz (hihihi) que eu estou com muita coisa para me preocupar no momento. Vou fazer dieta quando tiver espaço na minha mente para contar as calorias das coisas. E provavelmente, vai ser quando eu parar de ocupar a cabeça pensando em respostas ou "caras de paisagem" para fazer quando alguém me pergunta porque eu ainda não emagreci já que SB tem 1 ano!

16 de nov de 2015

A dor

nf 1 sensação penosa ou desagradável; sofrimento 2 mágoa; angústia
* dor de alma aflição; angústia;

19 de out de 2015

Estar só

A solidão é algo essencial para que em algum momento da vida o humano pare e olhe para si mesmo. Esse é o instante que traz a reflexão e por consequência, a mudança.
Quando a mulher engravida, a sociedade imagina que ela abriu um canal de comunicação com o mundo. Por isso cai sobre essa mãe uma enxurrada de teorias. Mas além de poder trocar ideias, posicionamentos e conceitos, a esse ser também é dado o direito de pensar no que está dentro.
Daí nasce uma nova forma de ver a vida, caminhar, fazer suas escolhas e seguir, sozinha ou não. O "estar acompanhada" agora é como o coração e a mente dessa mulher mãe se sentirão sempre. Pois todas as suas atitudes terão um novo sentido, com o propósito de ser melhor pra si e para o mundo.

11 de set de 2015

Receita de Menina

Por Lugana Olaiá
A maternidade me mudou, como um tsunami de hormônios que veio pra ficar e atingiu em cheio a minha cabeça.
Meu sonho sempre foi ser uma mulher de negócios. O que significava (na época) trabalhar em grandes corporações e entrar e sair de casa num ritmo frenético.
Aí Suaila veio e com toda sua calma me mostrou que o mais importante pra mim, a partir de agora, é ter tempo de qualidade com ela. 


Quando pensei em montar um negócio que me desse prazer, comida foi a primeira palavra. Pela satisfação que eu sempre senti em comer e pela confraternização que uma boa comida é capaz de proporcionar aos outros. Mas precisei definir meu ponto de partida, bolos doces e sobremesas sempre foram o meu forte. Penso que os bons sentimentos que brotam depois de comer, devem ser compartilhados.

E na verdade, SB tem todo o mérito. Já que depois que ela nasceu, a cada visita que recebíamos um bolo diferente era comprado. Descobri que muitos lugares que vendem bolos, não fazem bolos realmente saborosos. Apenas fazem bolos, para quem não teve tempo de fazer em casa, a pessoa passa lá e compra. Como eu no puerpério. Rsrs!

Pode parecer pretensioso, mas não se tratam apenas de bolos. Este é o formato do novo sentido que minha vida tem agora. E eu espero que não seja assim pra sempre. Porque eu não posso parar de aprender e de ficar insatisfeita com meus próprios resultados. Assim eu criarei novas maneiras de sentir-me plena no mundo em que vivemos.

25 de jun de 2015

Olhar para si mesmo de outro ângulo

Lugana Olaiá
Essa semana estava lendo o relato de parto da atriz Bárbara Borges, e me lembrei daquele dia...aquele sentimento, tudo aquilo o que foi vivido horas antes, durante e depois da chegada de SB. 
Aí fiquei pensando na vida e em como as pessoas que estão fora do seu processo gravidez = parto = puerpério, enxergam a sua vida de outra maneira. E você ali dentro daquele filme inédito, sem saber quais serão as próximas cenas, mas torcendo pra protagonista ser feliz e fazer do filho um bebê saudável, feliz. 
Diante de toda a intensidade da maternidade, é fácil esquecer a sua própria importância. É quase uma regra, nasce junto com bebê um ser selvagem que faz tudo pela prole e passa despercebido aos olhos externos.
Mas a verdade é que não adianta esperar que o outro lhe enxergue. Você precisa olhar pra dentro e suprir as suas necessidades. Isso pode levar um tempo, cada mãe tem o seu relógio interno, mas saiba fazer silêncio para ouvir o alarme despertar.
E faça um favor a você, não se engane nem se esconda atrás de cortinas imaginárias. É preciso apresentar ao mundo essa nova mulher que nasceu.

5 de jun de 2015

Para de apontar o dedo para a mãe

Lugana Olaiá

Engraçado que hoje enquanto tirava leite, pensei sobre algo que sempre falei que achava estranho nas mães. Várias das mães que eu conheço, principalmente na minha família, só resolveram que faculdade iriam cursar depois que os filhos nasceram. Eu dizia para minha mãe: "Mas estava aí esse tempo todo trocando de curso, aí agora que a vida tá corrida descobriu a paixão profissional! Por que não resolveu antes?".
A resposta, eu mesma descobri depois que minha filha nasceu. Eu já conclui minha graduação e também a pós, fiz isso bem antes de sonhar em ter filho. Mas agora, nem isso é o bastante para mim. Sinto que preciso melhorar, estudar mais, descobrir muitas coisas. E isso é justamente porque SB tá aí, para eu ser exemplo, para eu ensinar.
Navegando na internet, cheguei a uma postagem no Blog da Revista Crescer (que sigo desde que engravidei). O texto fala sobre como ser mãe é estar na vitrine, para que os outros te julguem a todo momento. Hoje percebo que a minha surpresa sobre a vontade de "crescer" das mães, era válida porque eu ainda não tinha passado por aquele túnel. Só o que o buraco é muito mais embaixo, quando as outras mães e várias pessoas que não tiveram filhos ainda, te agridem com tudo o que pensam sobre a maternidade.
Outro dia brinquei com uma amiga falando que descobri o motivo de todos acharem que podem dar palpite na gravidez da mulher. "É porque a partir de um certo dia, todo mundo sabe o último dia que você transou sem camisinha"! hahahaha
Sei que parece loucura, mas pensem comigo...a pessoa sabe da sua vida sexual, então ela se sente íntima..e qualquer comentário que ela faça dali em diante, ela vai achar que pode fazer, afinal é público que você fez sexo sem camisinha e está ali no palco da gravidez, onde todos te julgam sem dó. kkkkk
É isso! E não para por aí. A gravidez é só o começo de todo o processo, onde você, que está cheia de hormônios tem que ter muita paciência e tolerância. É treinamento, viu? Para quando seu filho nascer e as críticas forem ainda mais duras. Porque quando estavam falando de você, as vezes você até ria (eu ria por dentro) e não ligava muito. Mas quando falam do seu filho, que ele vai ser mimado, que ele tá morrendo de fome, que você não sabe cuidar dele, que ele não se sente amado, etc..aí é que você sente como corta a faca chamada língua...corta fundo e sempre sangra!
Só digo, mães de primeira viagem (como eu) estamos juntas, não vamos reforçar essa cultura que nos obriga a competir e alfinetar umas às outras. E mães que já criaram seus filhos, nos deixem exercitar a nossa capacidade de amar, cuidar, criar, errar, acertar. É direito nosso e a vida deve ser vivida no tempo de cada um. Amém (rsrs)! #oremos

13 de mai de 2015

Mãe sarada

Por Lugana Olaiá

Mentira que não é mãe sarada! Kkkk
O título ideal seria "mãe sem pochete pós-parto". Kkkk
Então, outro dia eu estava falando com uma amiga, e comentávamos que nunca me importei com minhas fotos feias publicadas.
Na verdade, acho que eu sempre fui autêntica no sentido de "se a foto tava estranha, a graça era essa"!
O mito da minha vida é que eu como coisa saudável por causa de Jorge e gosto de academia por causa dele também.
Ao contrário do que muitos pensam, Jorge sempre me deixou livre ou me acompanhou em qualquer tipo de comida.
A diferença é que aos olhos dos outros o corpo dele não aparentava comer nada com gordura.
O fato é que quando passamos a comer coisas saudáveis foi uma coisa que agradou aos dois e isso não tinha nenhuma relação com uma suposta imposição dele.
Jorge ingressou na faculdade de Educação Física depois que nos conhecemos. Logo pude notar que ele escolheu a área certa. Dá pra reparar quando a pessoa estuda e se dedica porque gosta do que faz. Ele é desses pesquisadores contínuos na sua área, que só vive estudando e se atualizando.
Eu, sempre curti exercícios físicos e comida saudável. Não tenho esse corpo (redondo como uma boa mulher parideira) por causa do meu companheiro.
E agora, algo mudou? Claro! Tudo depois de Suaila. Kkkkk
Sim, finalmente as pessoas poderão julgar o trabalho de Jorge pelo resultado que eu mostrar por aí.
Não, ainda não estou preocupada com dieta, estou AMARmentando e isso torna a minha pochete pós-parto toda especial.
Mas vamos começar um trabalho personalizado e eficaz para perder uns centímetros na silhueta.
É verdade, quem me viu prenha sabe que só engordei 6,5 kg durante toda a gestação.
Agora, já eliminei todos eles, através do leite materno que alimenta e nutre a minha prole.
Só que com o crescimento da cria, essa produção já não faz tanta diferença na balança. Principalmente porque a rotina de trabalho está de volta e os hábitos do ofício também. Como ficar sentada durante horas, por exemplo.
Temos a meta de acompanhar juntos, através dos meus registros por escrito, como vou me tornar uma mãe preparada para correr a maratona "atrás de filhos por aí". Mude seus hábitos! #jorgesantostopteam

4 de mai de 2015

A missão

Por Lugana Olaiá
Atualmente a missão é confiar.
Sim, porque mesmo com câmera e indicações, nada acaba com o aperto no coração da mãe que está prestes a deixar alguém cuidando da sua cria.
Por essas e outras, escolhi acompanhar de perto durante o mês de experiência e adaptação da babá com o bebê. Rsrs
Foi também o mês de adaptação intensiva do bebê com as mamadeiras e copos de treinamento.
E esse negócio de mãe de querer ver se está tudo bem é que ferra com tudo. 
Acontece que assim o peso do mundo fica em seus braços, literalmente. Deve ser daí quem vem a conhecida frase "quem pariu Mateus que balance".
Porque pode até ser que alguém te ajude. Mas a tal responsabilidade e a preocupação com os acontecimentos pesa mais apenas em um dos lados da corda.
É tudo sempre tão forte e desafiador nessa empreitada da maternidade. Não é fácil pro adulto. A criança está tranquila, apenas vivendo, aprendendo, sentindo e se acostumando com a vida. Nós estamos viciados ao equívoco de achar que podemos controlar muitas coisas.
Confiar é a palavra de ordem. Entender que seja como for, a nossa experiência no assunto "alimentação após o término da licença", tudo vai ser da melhor forma dentro dessa casa. E essas quatro mulheres vão saber lidar com todas as mudanças.  

29 de abr de 2015

É chegada a hora...

..de enfrentar o mundo lá fora!
E a pergunta é: "as pessoas estão preparadas para respeitar a nova mulher que sairá deste casulo agora?"
Acolher, entender..São coisas difíceis de encontrar no ser humano...
Eu tenho que me preparar para encarar os olhos tortos que já começam a surgir nas visitas em casa ou quando encontro pessoas.
Porque todos criaram melhor, todos acertaram em tudo e todos os bebês sempre foram maravilhosos, sem nenhum problema.
Mais uma etapa difícil, segurar a vontade de mandar conselheiros inúteis à merda, junto com suas críticas e julgamentos.
Ser mãe é!

4 de mar de 2015

O parto que é ser mãe


Lugana Olaiá
Então, seguimos nessa aventura. Há sempre muito o que compartilhar. 
Hoje pensei em falar sobre a polêmica do hospital que sugeriu não amamentar sempre, nem pegar o filho no colo sempre, nem niná-lo durante a noite e não deixar que o bebê durma no quarto dos pais.
Já faz um tempo que estamos percebendo a medicina andando no sentido contrário do que chamamos de "cuidar dos seres humanos". 
Concordo que essas "dicas" podem servir como modelo de criação e educação para alguns pais. Mas eis os motivos que me fazem discordar dos médicos:
- O bebê passou  9 meses dentro do útero, com toda aquela proteção e aquela ligação com a mãe. Não podemos exigir que ele saia sabendo que continua seguro aqui fora. Afinal, nem nós adultos estamos realmente seguros.
- Existem outros mamíferos, filhotes de animais que já nascem sabendo andar com suas própria patas. Este não é o casos dos humanos, e os bebês vão precisar de colo durante um tempo, principalmente para dormir.
- Nem toda vez que o bebê chora ele quer mamar. Pode ser fralda suja, frio, calor, dor ou dengo. Mas ele não vai se tornar uma criatura mimada e cheia de vontade se quando acabar de nascer sua mãe te der o peito, que pra ele é a prova de que está tudo bem e ele tem o alimento de que precisa.
- O que chamamos hoje de "criação com apego" parece uma grande novidade, mas é o simples fato de que existe um movimento, com muitas mães, que escolheu dar mais atenção aos filhos. Carinho, afeto e entrega, porque é isso que constitui o ser maternal.
- Por fim, muitos acidentes noturnos podem ser evitados se o berço estiver no quarto dos pais. Isso foi a pediatra da minha filha que disse. O bebê que acaba de nascer não deve dormir sozinho em um cômodo. 
Quando o bebê mama de 3 em 3 horas, é ótimo, dá tempo de fazer mil coisas. Só que não! hehe
Nem sempre temos vontade e disposição para fazer as mil coisas que precisamos enquanto o bebê dorme. E logo passa a fase que ele dorme o tempo todo e ele passa a ficar as 3 horas entre uma mamada e outra, acordadinho, querendo brincar e conhecer o mundo a sua volta.
Mas se ele quiser mamar 1 hora e meia depois da última mamada, que mal existe nisso? 
Há quem diga: "não acostume ela com você o tempo todo porque sua licença vai acabar". E eu lhes pergunto, queridos leitores: Se fosse para o bebê não precisar da mãe, por que ela ficaria 4 meses em casa, e sairia leite do seu peito, que os médicos indicam como único alimento até os 6 meses de vida.
A separação vai ser dolorosa, mas necessária. Mas enquanto você está lá, é você que dá o banho, troca as fraldas e tudo o mais que precisar.
O processo de adaptação da criança vai acontecer com um pouco de choro até que ela se acostume. Mas o afastamento entre mãe e filho durante o tempo em que deveriam se conhecer, certamente será prejudicial para esse vínculo inicial.

27 de jan de 2015

Queda Livre

Lugana Olaiá
- A notícia: Aquele "silêncio que precede o esporro".
- A ficha: Os sons de trio elétrico voltam aos poucos e parece mesmo que você está no carnaval, em meio a um turbilhão de sentimentos.
- O caminho: Sem volta, "como uma tatuagem na cara", parafraseando Elizabeth Gilbert.
- O medo: Que agora faz parte da sua vida 24 horas por dia, 7 dias por semana.
- A força: Uma descoberta constante de si mesma, cada vez que o precipício se aproxima.
- Os sonhos: A vontade de fazer mil coisas maiores e melhores pra você e pra ela, de ser especial e motivo de orgulho para alguém além de você.
- A dor: A sua só existe quando ela sente e o sofrimento não depende de sua ajuda.
- O cansaço: Você nunca conheceu o real significado dessa palavra.
- O saber: Ele vem com o tempo.

17 de jan de 2015

O cocô


Lugana Olaiá
Não é a pior parte, nem de longe. Mas a situação é digna de uma postagem. 
Gente, cocô de quem só bebe leite é líquido. Só tenho isso a dizer! kkkk
Brincadeira. Minhas experiências com o cocô de Suaila são super engraçadas! O primeiro super grande cocô líquido aconteceu quando estávamos só nós duas. Gastei um pacotinho de gaze nessa limpeza.
Agora estou totalmente adaptada, apesar de sempre ter uma novidade nesses eventos. Um dia suja o macacão, no outro a calça..já sujou o próprio corpo...e tomou banho depois!
Mas é fofa a carinha que ela faz e o silêncio que ela fica quando estamos limpando essa meleira toda. E depois eu ainda coloco a mão diretamente no cocô pra lavar a roupa suja.
A graça toda também está em saber que isso é sinal de criança saudável, fazer uma caquinha dessa diariamente.

12 de jan de 2015

Amamentação

Lugana Olaiá
Quando comecei a pesquisar sobre maternidade, e conheci prenhas e parideiras, um dos assuntos mais falados era amamentação. Assim como existe uma galera que luta pelo parto natural, percebi que muitas mães fazem o que parece ser um trabalho de conscientização para que outras mães amamentem seus filhos.
O curioso disso tudo, e que me fez escrever hoje sobre o tema, é que a maioria das mães que conheço, afirmam não ter tido leite. E meu peito está aqui jorrando! Não sei se é uma coisa rara, mas parece que a cesárea contribui para a falta de leite. E mais, o ato de amamentar está diretamente ligado ao vínculo com o bebê, que muitas mães não sentem logo de cara, mas é bem no início que os seios precisam ser estimulados para a produção do alimento.
Li e pesquisei em alguns sites e livros! O leite sair do peito não é apenas um processo fisiológico, é também emocional. Precisa ter amor envolvido, doação mesmo, e uma mente livre de grandes preocupações.
Essa fase do puerpério já é bastante delicada, envolve insegurança, medo, alegria, amor, satisfação, lágrimas, fome, sono, sangue, leite, fraldas, água, fissuras e muito mais. É preciso querer amamentar, assim como muitas de nós querem parir. Só o querer profundo é que nos dá condições físicas e psicológicas para ultrapassar os limites do cansaço.
Depois as cólicas chegam! E pra mim, tem sido de dar dó ver o sofrimento do bebê. Ela não chora, mas se torce e contorce inteira com a dor que sente.
#11dias

7 de jan de 2015

Relato de Parto - parte 2

Lugana Olaiá

Então, conseguimos passar as festas de fim de ano sem uma cesárea desnecessária. Mas no dia 31 eu estava me sentindo diferente. Algumas contrações ao longo do dia, mas nas últimas semanas isso vinha acontecendo.
Lembro de conversar com uma amiga e comentar que as mães de primeira viagem como eu tinha dificuldade de identificar a dor que seria de trabalho de parto mesmo. Ela me disse que eu saberia na hora, porque "é muita dor". Rimos disso!
De fato, cada contração até a hora do parto tem uma intensidade altíssima, mas quando passa dá até pra dormir e sonhar.  E comigo foi assim,
Depois da ceia de Ano Novo, fui deitar 1 hora da manhã. Não estava em casa e não dormi muito bem. Levantei diversas vezes para ir ao banheiro e senti contrações mais fortes do que as que já tinha sentido durante o dia.
Eis que na minha ida ao banheiro às 4h40 perdi o tampão. Eu não estava acendendo a luz, mas vi uma coisa diferente no papel higiênico, e resolvi olhar melhor. Na hora reconheci o dito cujo. Igualzinho a uma das imagens que encontrei na pesquisa que fiz na internet.
Resultado, acordei Jorge para voltarmos pra casa. Avisei do ocorrido e chegando em casa começamos a contar o tempo entre uma contração e outra. Eu não queria de jeito nenhum ir para a maternidade e ter que voltar porque ainda não era a hora. Então, nossa meta era sair de casa com 3 contrações em 10 minutos. 
Isso na teoria. Na prática, entramos no táxi com 1 contração a cada 5 minutos. Mas só o tempo da viagem, foi suficiente para diminuir essa contagem. Enfim, quando chegamos ao CPN não havia nenhuma grávida lá, todas tinham voltado pra casa porque ainda não era a hora exata.
A enfermeira obstetra da equipe MA - RA - VI - LHO - SA que me atendeu até brincou, perguntando se eu ia parir mesmo. Durante o exame de toque, constataram que eu já tinha 8 cm de dilatação. Me indicaram aquela caminhada pra aumentar o espaço. Foi o tempo de caminhar do consultório até a porta do Centro. 
Vomitei mais uma vez, água pura, aí voltei pra tomar uma medicação que acabaria com a ânsia. Foi então que a bolsa rompeu e fui pro quarto. Lá foi uma sequência de banho quente, depois exercício no cavalinho com massagem do "doulo" Jorge. hahaha! Depois fui para o Spaldar, voltei pro chuveiro quente, agora com bola de pilates, depois voltei pro Spaldar.
Pronto, fui pra cama para ver como estava a situação. Estava começando o período expulsivo, a vontade de fazer força. E eu fiz, e quando chegou aquele momento que quase toda parideira tem de achar que não vai mais ter força, faz a última bem de leve e a criança sai rapidinho. kkkkkk
Foi ótimo! Lindo, perfeito. E Jorge vendo tudo do melhor ângulo, lá embaixo. E cortou o cordão!
Ela veio pro meu colo e ficamos lá felizes sorrindo. Ela mamou logo, já nasceu sabendo a pegada certa! 
Jorge gravou o choro e mandou pra família e amigos! Demoramos muito pra conseguir contato com alguém, mas só começamos a avisar depois que nasceu mesmo. 
Levaram rapadura pra me dar energia durante o parto, só que eu estava enjoada e Jorge e a nossa linda enfermeira comeram quase tudo, empolgadíssimos conversando enquanto esperávamos Suaila Badu sair de mim. 
Significa calma e poderosa. 
Obs.: O notebook vai descarregar, ela vai acordar e não sei se tenho algo mais para dizer. Caso eu lembre, vou atualizando nas próximas postagens. #7diasdeparida

30 de dez de 2014

O tempo de cada um

Lugana Olaiá

Eis que meu rebento ainda nem chegou ao mundo e já deve estar sentindo os efeitos do ritmo apressado que enfrentamos aqui fora. Tem uma galera que não aguenta mais esperar o nascimento dele, todos ansiosos e falando que estão chateados com ele, a criança dentro da barriga. Pasmem!
A mãe está orgulhosa, já que a cria está se mostrando cheia de personalidade. hahahaha! Quer nascer em 2015. Vai esperar tudo mundo relaxar e lá pela 40ª semana vai dar sinais de querer sair dessa barriga quentinha e apertada.
Isso, eu acho bom, fico já fazendo planos de minha vida ao lado de uma criança calma, que não pulou de mim antes da hora, nem no prazo mínimo. Também não precisa ficar até a 43ª semana! kkkkkkk
O espírito está bem cuidado e os irmãos, pais, tios, avós, estão esperando de braços abertos! Temos muito o que viver e comemorar ainda, sem pressa, aproveitando cada momento.
Curioso é que as pessoas mais impacientes aguardando esse nascimento ainda não tiveram filhos. Até comentei com uma amiga, acho que quando ela engravidar não vai ficar tão nervosa. Estava numa roda de mães outro dia e estavam todas calmas, fazendo suas previsões para ele nascer na segunda ou terceira semana de janeiro. Encontrei um grupo pacífico e que entendia a minha paz e tranquilidade.
Como mãe, desejo que ele tenha a liberdade de comemorar o aniversário sem pensar no ano novo. Então, quanto mais dias, melhor. Temos um fim de semana aí pela frente! hihihi

28 de nov de 2014

Relato de parto - parte 1

Lugana Olaiá

Estou começando meu relato hoje, mas acho que só vou postar quando de fato tiver parido. O fato é que tem sido um "parto" tão grande conseguir parir da forma que escolhi, que já preciso começar a escrever sobre isso, na tentativa de me acalmar e ter ainda mais certeza do que quero.

A busca por um acompanhamento médico:
Este processo, para mim, foi o grande primeiro impacto. Ligando para marcar consulta e a atendente me perguntando qual era a data do parto, para ver a agenda da(o) obstetra, em seguida dizendo o valor da cesárea, e só depois querendo marcar a consulta. Nestes casos eu desisti no telefone. Não sou obrigada!

A primeira consulta com algum 'profissional':
Alguém que está sentada do outro lado da mesa, atende o celular pessoal, conversa um pouco e só depois que desliga começa a falar comigo. Sem olhar para mim. Não sabia que eu estava prenha e acreditava que era uma consulta simples. Entendi isso, porque quando disse que estava com 2 meses, ela me olhou e disse o nomes dos hospitais onde poderíamos marcar a cesárea. Praticamente vi $ nos olhos dela.

Continuando a busca:
Volto às ligações, indicações, e tive muita dificuldade de encontrar um médico que atendesse o meu plano de saúde. Obstetras que fazem parto normal geralmente atendem particular, e mesmo assim muitos não tinham agenda disponível até eu ter 6 ou 7 meses.

Encontrei um profissional:
Ele foi indicação de alguém que conhecia alguém que conhecia minha mãe. Chegamos a ele e aceitava o meu plano. Entrei na consulta e ele me olhou. Já fiquei um pouco mais tranquila. Era humano e teríamos uma relação baseada em contato real. Perguntei logo se tinha algo contra o parto normal ou se fazia. A resposta dele na época me pareceu uma luz no fim do túnel. Hoje, com 34 semanas, vejo que era a deixa de como ele iria se manifestar na hora certa. Ele disse: "Eu faço parto normal. Mas é o tempo que vai dizer se você tem condições para isso.", achei bom, aceitável e realista naquele momento.

Desenvolvendo uma relação com meu médico:
Era chegada a hora de ser completamente sincera com ele e dizer quais eram as minhas intenções. "Quero tentar um parto natural, humanizado.", eu ainda insegura de como dizer isso pra ele. "Vou procurar o Centro de Parto Natural Mansão do Caminho.", a essa altura já tinha ido no CPN e sabia que precisava de um relatório das nossas consultas, então tinha que abrir caminho para pedir isso (mesmo sabendo que é obrigação dele me dar, muitos se negam a fornecer o documento).

Ele mudou o jeito de me olhar. Não sei se ele achou que eu estava muito certa do que queria. E começou um discurso que nas entrelinhas dizia, você pode fazer, mas eu não vou apoiar. E falou sobre a dor que é insuportável, e que não é esse mar de rosas que dizem, e que na hora do parto podem acontecer milhões de problemas que comprometerão a saúde do bebê e da mãe, e que lá eu não teria como ser socorrida, e que só poderíamos saber se essa tentativa seria possível bem perto da hora do parto (já demonstrando que iria atrasar tudo o que eu precisasse, como o relatório) e que ele só aconselhava a espera pelo parto até 41ª semana, porque os bebês de hoje não costumam aguentar mais como antigamente.

Última consulta antes deste post:
"Preciso do relatório de nossas consultas.", ele: "Ainda é muito cedo pra isso, só no final vai ser possível.". Depois dos procedimentos normais da consulta fui embora. Triste, entendendo que a situação em que me encontro. Mas fui orientada pela minha doula a não brigar, por diversos motivos. Ele pediu exames, eu vou fazer e levá-los para novamente solicitar o relatório de atendimento. Meu objetivo é sair de lá com ele. Ele me disse ainda que devo logo confirmar o Hospital, para que ele possa acompanhar o parto. Meio que se fazendo de esquecido ou ignorando que vou tentar ter no CPN.

O que pensei:
- Mudar de médico. Liguei para outras indicações, mas não consegui ainda outra opção.
- Que deveria desistir de encarar tanta dificuldade e marcar o parto no Hospital que ele atende.
- Não queria passar por isso e agora estou me sentindo acuada.
- Vou ter que me tornar doula ou obstetra para atuar junto ao grupo que luta pelo parto humanizado no Brasil.

O que ouvi durante estes 8 meses de gravidez:
Pouquíssimas palavras de apoio. A maioria vinda de completos estranhos. Os conhecidos me contaram histórias horrorosas de gente que queria ter parto normal e "se ferrou". Nesses termos mesmo! Ouvi gente me dizendo que tinha mais é que doer porque na hora de fazer o filho eu não reclamei de dor. Entre outras palavras de muito carinho, hahaha!

Fiquei chocada com o quanto as pessoas podem ser perversas e dizer coisas cruéis pelo simples fato de não concordarem com a escolha de uma mulher. Percebi que na verdade ninguém se importa com o que você sente, nem pensa em ser mais atencioso ou cuidadoso com você em consideração ao peso que carrega no corpo inteiro. As conversas das enfermeiras e médicas (principalmente mulheres mesmo) que encontrei eram surpreendentemente assustadoras. Isso, porque são pessoas humanas que cuidam de outras pessoas humanas em hospitais, onde geralmente existe alguma questão de saúde envolvida e a necessidade de atendimento.

Obs.: Vou parar de escrever, porque pode dar um livro e quero dividir o relato em algumas partes. E vou postar agora mesmo!

18 de nov de 2014

O que eu diria pra quem não quer ter filhos?

Lugana Olaiá
Um dos blogs de prenhas que acompanho lançou essa questão. E como eu sou muito esperta, não respondi nos comentários e vim fazer minha postagem aqui! hahaha
Pois, eu diria: "Não tenha". Isso não é crime. Mas eu diria também, pense sobre o assunto e se decidir que é isso mesmo, não tenha.
Eu penso isso também sobre quem não tem religião. Não acho que todo mundo tem que ter. Então, sou a favor que parem de recriminar e marginalizar os que não querem ter filhos.
Não, eles não odeiam crianças. Não são sequestradores ou pessoas traumatizadas na infância. Pelo menos isso não é regra.
Acho que as opiniões e escolhas merecem respeito. Esse julgamento todo é tão hipócrita. Essa história de que você só entende o real valor da vida quando tem filhos, pra mim, é uma grande máscara, criada para esconder a sociedade doente, racista, machista, homofóbica, corrupta e problemática em milhares de aspectos.
Dizer que quem tem filhos é melhor, ou aprendeu mais, ou cresceu, ou aprendeu a dividir, etc. Não é isso que qualifica seres humanos para uma boa convivência. Tem muita gente que tem filho que ensina coisas não tão altruístas para seus rebentos. Tem gente que tem e abandona no lixo, que vende, que bate até matar, etc.
Então, minha resposta, mesmo estando prenha, é essa: Se não quer ter filhos, por favor, não os tenha.
Obs.: Apesar de Homer enforcar Bart, eu adoro Os Simpsons!!!! hahaha

4 de nov de 2014

7,75 e as tais fotos de gestante

Lugana Olaiá

'Oi gente, meu nome é Lugana e eu estou aqui, só por hoje', entendedores, entenderão. Meu dilema do dia é: Tá, logo quando soube da gravidez, eu nem pensei nisso. Mas como iniciei uma busca interminável na internet sobre dicas e teorias e explicações sobre diversos aspectos da maternidade, vira e mexe esbarrava em fotos de gestante.


Sem contar o espião dentro do computador, que sempre coloca anúncios relacionados ao que você tem lido. Então, vi muitas fotos de gestante.


Não! Não me emociona e não acho que todo mundo tem que fazer. Já vi muitas onde as mães registraram em casa o crescimento da barriga mês a mês, e achei muito bacana! Tem muita gente com ideias ótimas por aí.


Mas não quis fazer. Por isso também, vocês sabem, sou uma mãe normal, porém meio estranha. hahaha! Mas ok, na vida, e principalmente, na vida de uma grávida, "a gente come do que gosta e do que não gosta" (leia-se engole sapo direto! rsrs). Então, acabei convencida a fazer fotos de gestante.


E comecei a jogar lá pros 45 do segundo tempo, adiando ao máximo possível. Pensando no que fazer para as fotos não ficarem ridículas. Sim gente, porque essas poses que 99,9% das mulheres fazem, e essas locações, e esses fotógrafos, as montagens, ninguém merece. 

Já vi uma foto de um casal conhecido tirada no estúdio (isso eu vi na casa deles num dia em que conheci o bebê), sentados no chão, ao lado de um capacete (muito bonito por sinal - o capacete apenas). Qual é o sentido disso? Principalmente porque eles não tinham moto! Ridículo! Fiquei com vergonha, quis ir pra casa. kkkkkk


Nós temos moto, a família. Quem pilota é o pai e nós andamos de moto até hoje (eu e o bebê), mas não né? Não vou fazer foto com o capacete ao lado da barriga. Pra quê, né?


Talvez nas fotos newborn (isso acho muito necessário - e caro - mas aí é só necessidade de mãe) eu coloque o bebê dentro de um capacete! Viu que eu serei mãe fofa e normal, algumas vezes? Eu considero que precisamos de um álbum newborn para viver e criar bem o nosso rebento! Loucura eu sei, mas é fofo vai! hauhauhua


Eis que começo a pensar em quem poderia me fotografar nesse momento de tanta intimidade. Sim, eu considero íntimo, porque é dentro de cada mulher. Sabe como é? A barriga não é pública, como todos acham que é. Pelo contrário, é algo muito particular. 


Reparem! Minha relação com as fotos de gestante é exatamente a mesma que tenho com o casamento. Sabe o filme "Noiva em Fuga", com Julia Roberts? Ela casa somente na presença do padre, juntamente com o marido e um ou dois cavalos que os levaram ao local.


Gente, pra quê mais? Aquelas juras todas não tem que ser ouvidas pela sociedade. Elas só valem e tem importância (ou não) para aquela pessoa ali com cara de bobo(a) e olhos brilhando.


Já que estamos falando no assunto, é por isso que não casei também até hoje. Não vou fazer o evento do ano, quero algo muito reservado. Pode até ter umas testemunhas, e gente que chegue logo depois pra uma festa de comemoração. Comer e beber na intenção dessa união, ok! Minha opinião pessoal, tá? Mas continuamos aceitando convites para casamento, vou em todos, em qualquer lugar, porque eu acredito que cada um deve se realizar da maneira que escolher e sempre apoio meus amigos. Já atravessei o mar e andei léguas, literalmente, para ir a um casamento muito especial. Então, isso tudo eu estou falando de mim, certo?


Mas voltando às fotos de gestante...é isso. Acho até bonitas algumas fotos que inovadoras mães e profissionais antenados fizeram na água, com efeitos especiais, naturais, entre outras. Só que eu, Lugana, fico com vergonha.


Aí vem minha mãe e diz que é importante guardar um registro. A sogra diz que vou querer ver minha barriga depois (eu duvido, não está gatinha), blá blá blá.. E eu vou fazer!


Ganhei uma sessão num estúdio, e uma ao ar livre (com uma fotógrafa daquelas ótimas!), vamos ver no que isso vai dar! kkkkkk 


Obs.: Esse lance das fotos é curioso, porque eu nunca liguei para minhas fotos publicadas. Sabia que saía de qualquer jeito ou com cara de pirada mas achava que a foto feia na internet valia pela alegria do momento. Tá, só uma vez que pedi pra tirar porque estava demais! kkkkk


Lugana escreve esporadicamente, já está com 7 meses e 75, porque mãe que é mãe conta cada dia de gestação e são quase 8 meses, chegando nas 32 semanas. Tem vergonha de fotos de gestante, mas vai fazer. Considera newborn a coisa mais fofa inventada para os bebês e seus pais. Talvez vocês não vejam nenhuma foto, porque ela tem mesmo muita vergonha. 


28 de out de 2014

"Somos nós que fazemos a vida"

"E a vida o que é, diga lá, meu irmão?
Ela é a batida de um coração?
Ela é uma doce ilusão?
Ela é maravilha ou é sofrimento?
Ela é alegria ou lamento?"

Gonzaguinha

Lugana Olaiá
Poucas coisas na minha vida começaram do jeito que imaginei. Mas, quando você é o sujeito, tem que se movimentar, para transformar pelo menos o desenrolar da história e deixar tudo mais a sua cara.
Semana passada fiz uma compra numa lanchonete e a conta deu bem mais cara do que eu esperava. Estava errada e a senhora do caixa me pediu desculpa, disse que estava triste com a notícia que recebeu do médico.
Pensei que era caso de doença e já fiquei com aquele sentimento de "não vou saber o que dizer se ela ou alguém da família tiver câncer". Pensei em 2 segundos! kkkkkk
Eis que ela me revela a situação. Ela, que já passou dos 40, queria outro filho mas descobriu que não poderá mais engravidar. E eu prenha, de 7 meses e umas semanas, do outro lado do balcão com minha barriga escondida querendo disfarçar ainda mais.
Ela perguntou, e quando eu não tinha nenhuma evidência eu não dizia pra ninguém que estava esperando criança. Mas agora, eu sabia que quando desse 2 passos ela iria ver e ficaria no mínimo estranho eu ter negado. 
Então: "- Você tem filhos?", "- Estou grávida.", "- Vai querer ter outros?" (Nessa hora eu sabia que tinha que correr, porque não ia ser legal, mas eu não digo o que o povo quer ouvir, eu falo com a minha cara de normal o que eu penso e depois quero voltar a fita.), "- Não, apenas 1 filho.".
Ela, com lágrimas nos olhos, me disse: "- Tenha outros. Você vai querer. É maravilhoso!!"
O que eu fiz ou falei? "- Tchau, tenha um bom dia!"
É certo que eu tenho saúde na gravidez, e isso sim é maravilhoso. Mas posso mesmo não querer outro. E isso não quer dizer que eu odiei a gravidez, nem que vou odiar ser mãe. Diz apenas que eu sou uma mulher que optou por ter apenas 1 filho. E meu filho único, como eu sou, não vai ter nenhum problema psicológico por isso. 
Tudo bem que posso ter problemas, mas não por ser filha única. Tenho muitos primos, amigos da primeira infância, crescemos normalmente, e nem todos tem irmãos. Ah gente, para com esse bullying contra os filhos únicos.
Só de pensar que quando parir, as pessoas já vão começar com essa história batida de irmão...ai que preguiça! Eu não vou ser simpática como na gravidez não, viu? Aviso logo! Vou mandar todos pro inferno. Que nada! Enchimento de saco...
Dias depois, fui comprar um vestido e encontrei uma mãe, que quando viu minha barriga, na hora de experimentar a roupa, disse que não tinha nenhuma saudade do tempo de gravidez dela. Eu queria beijá-la de tanta emoção! 
Ela me falou que aconteceu alguma coisa com ela, que ela tinha que ficar sentada no vaso o tempo todo, porque era muita vontade de fazer xixi. Aí colocou um travesseiro na pia e encostava, dormia. E eu feliz, porque alguém não estava só me dizendo que se sentiu iluminada, que foi a fase mais feliz, blá blá blá.

Como fazem no blog De repente 30: Lugana escreve esporadicamente, já é mãe mesmo que ainda seja gestante e não tenha parido. Escolheu junto com o pai do bebê não saber o sexo, tem sua preferência, mas já ama o filho independente do gênero. Ela não quer ter outro filho, mesmo passando por uma gravidez tranquila. Toda mulher tem seu direito de decisão.