15/12/2011

Um Chicletinho vai bem

Lugana Olaiá

Estava eu conversando com uma grande amiga, e colocamos na mesa todas as cartas que envolvem esse jogo da vida adulta para nós. E depois, claro que fiquei pensando mais sobre o assunto, por isso estou aqui compartilhando as ideias. Não sei como é bem esse lance de casamento para os filhos de pais que ainda vivem juntos, talvez seja natural, consequência de um relacionamento, ou talvez nunca tenham pensado neste assunto, simplesmente porque na sua casa tudo está normal e vai bem 'obrigada'!
Mas, aqui, no mundo das filhas de pais separados, a coisa caminha por outra pista. Sim, eu digo filhas, especificamente, porque nós meninas pensamos um pouco mais sobre a causa da separação. E se ficamos com a mãe, acompanhamos a luta feminina para manter a ordem, para ter a guarda, para se certificar de que a filha cresceu bem diante dos moldes do respeito e da moralidade, mesmo sem a presença de um pai em todas as refeições.
Isso traz algumas vezes, uma identificação com a causa. E por isso, muitas de nós crescem acreditando que não querem se casar. Sim, porque o nosso referencial é de que o tal do casamento, serve para fazer filhos juntos e descobrir que não dá pra viver como uma família de comercial de margarina para sempre. Eu passei muito tempo pensando isso.
E talvez, esta minha amiga, também. Ainda que sem tomar consciência, ela sempre levantou a bandeira do "não preciso de um amor, não é isso que orienta a minha vida". E eu caminhava ao lado, com uma faixa ainda mais melindrada (agora eu vejo) "não vou me casar, nasci para ser sozinha"! Tem muita gente neste clube, e eu acredito que nem todos tem traumas de infância, assim como nem todos querem ter filhos, mesmo sem nenhuma causa aparente nesta vida.
O questionamento principal da minha amiga era: como vou me casar tão nova? Ao meu ver, uma mera desculpa para quem deu um esbarrão (daqueles que faz voar todos os papéis) no tal do sentimento. Queria ter salvado a conversa para copiar algumas falas minhas, momento de pura inspiração. Mas enfim, o que eu quero dizer é, sim, vai ser um pouco mais difícil e talvez até constrangedor para você que sempre disse o contrário e agora quer sim, quer morar junto, quer casar, quer tentar colocar as toalhas de banho com os nomes de vocês bordados (ser romântico também pode ser brega).
Só que também deu medo de mudar de escola, de mudar de turma no mesmo colégio, de apresentar trabalho para a sala toda, de teste/prova/ENEM/vestibular. O medo voltou no primeiro dia de aula da faculdade, e te acompanhou na primeira entrevista de emprego. Quando você resolveu largar filosofia no meio do caminho e começar farmácia sem poder eliminar nenhuma matéria, e ainda por cima escolheu fazer isso em outro estado.
Na verdade, esse moço, O Sr. Medo, é um parceirão. Ele tá em todas! Te leva só para você não esquecer que pode controlar ele e seguir de mãos dadas com a Coragem. Faz tudo o que você quiser, na hora daquela vontade mais forte e irresistível. Só assim que vale, hein?

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